DES-CANSO


Algumas coisas cansam:

São bombas explodindo

Nas sombras impuras

E o ar quase não se pode

Definir. O peso é tão mais

Insuportável.

Respirar é possível?



A temporada da desrazão

Chega ao fim. Meus ombros

Curvados lamentam tudo

Que morre no vento.

Largo as malas pelo chão:

Liberto-me para andar

Mais rápido.

Nem olho para trás: olhar

Também cansa.



Perco de vista os detalhes

Levianos, as pequenas

Intraduzíveis mentiras

E pego o caminho sem

Atalhos e descalça.

Num ato falho, lembro

Das letras desbotadas

E, definitivamente, jogo

Fora todas aquelas (tuas)

Palavras inutéis e amassadas.



Karla Bardanza





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