LETRAMENTO



O meu letramento
veio com o vento.
Com ele aprendi a voar
e a ler as pétalas das azaléias
sem muita pressa.

Aprendi também a interpretar
os carneirinhos nas nuvens e as estrelas
e também a entender um pouco mais
a Lua e os seus enigmas.

O vento levantava os meus cabelos
e me incentivava a ler as diversas
tipologias intertextuais
dos caules das árvores,
especialmente quando havia
um coração e dois nomes distintos neles.

Lentamente me apropriei da escrita
e comecei então a fazer poesia da vida
assim como quem não quer nada,
querendo quase tudo.

Minha leitura do mundo
sempre foi fundamentada
no imediatismo do sonho
e no surrealismo da alma.
Às vezes, as minhas palavras
não estão nem dicionarizadas.
Melhor dessa forma
que informa o nada
e abraça o vazio com voracidade.
-Verdade demais deforma-

Sempre recorro ao vento
quando fico indecisa diante
das metáforas e
das figuras de linguagem
em geral.
Sento no melhor jardim
e arranco os olhos para sentir.

Sentir é sempre melhor do que saber.






Karla Bardanza










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