POEMA DESNECESSÁRIO


A lua nasce e morre em mim:
eu a bebo com os olhos azuis,
eu a escondo nos bolsos
e entre os seios
sempre que perco o fim
ou
os freios
na noite sem memória.

Vou pela cidade
e ela está numa poça d'água,
morando calma,
em sua
pura reflexão
e reflexo.
Com ela por perto,
não preciso de explicação,
tampouco de nexo.

De tão azul
é quase um clarão
na palma de minha mão.
De tão amante,
não a quero distante.
Ela é mais que uma jóia
pendurada no pescoço
do céu.
É uma fala improvidada
pelo poeta bêbado
à mesa do bar
quando o estoque de inspiração
acaba no meio do discurso
que já não pode mais ser
politicamente correto.

A Lua é a única coisa
de concreto neste momento
de poeira e fracasso
cheio de rastros.
É possivelmente um dos motivos
que ainda me leva a olhar
para fora e para dentro
simultaneamente
quando
sou gente
e me descongelo,
e me desengaveto,
quando o teto está caindo
em cima de minha cabeça
empoeirada e cheias de teias
de aranhas.

A lua ainda me assanha
e eu uivo em solidariedade
pelos anos que já morreram
na minha boca cheia de cosmos
e
saudade.

A lua nasce e morre em mim.
Mais um poema sobre ela
é absolutamente desnecessário.




Karla Bardanza











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