NA BANHEIRA COM MARCUSE





 Acendam as velas
e os incensos, por favor.
Encham a banheira
com água bem quentinha,
sais e espuma
e me ponham lá
de olhos fechados.

Meu corpo todo dói.
Sou uma estivadora das letras,
sou uma perdedora bem educada,
sou uma assalariada cansada.

Ficarei com a alma imersa,
com o corpo sonhando,
flutuarei ouvindo Cocteau Twins.

Preparem uma taça de vinho
e coloquem ao lado da banheira,
preciso afundar nos meus próprios mistérios
esquecer
que amanhã
vou acordar cedo
e
enlouquecer
lendo Marcuse
e buscando Eros
aqui e ali.

Não me interessa a civilização:
estou em colapso.
Não quero saber de racionalizar
o prazer.
Preciso de uma massagem nas costas,
de uns dias em algum spa,
de um banho de ofurô,
de você, amor.

Marcuse,
por que tem que ser assim?
Deixa pra lá!
Não fala nada não!
Deixa eu me afogar em mim.



Karla Bardanza










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