POEMA SEM DELICADEZA


Para suportar a claridade sem mistério

É preciso apreciar vulcões desnecessários,

Enquanto os oceanos renovam as águas

E as almas caladas bordam os seus sudários.



O olhar penetra e devora a disforme matéria,

Contemplando e abandonando a alteridade.

Tudo que jaz sem delicadeza é para esquecer.

A vida é um lago onde morre até a subjetividade.



É assim andando pelas alamedas sem paz ou cor

Que a apreensão do real é um tiro insano a esmo.

A grande verdade, se há alguma, reside naquele

Que aprendeu a se proteger até de si mesmo.







Karla Bardanza




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