E ELA ABRIU A JANELA

               
 O lago ficou
quando ela voltou.
A casa com jardim
e os livros
também.


O gelo do inverno
e as árvores
choraram.
Ela estava quase bem.


Quando chegou,
a vida tinha pouco sentido.
A língua era outra,
o sol era forte.
Ela havia se perdido.
Ela tinha vindo do norte,
daquelas florestas imensas
e belas.
  Ela tinha deixado a vida
lá em cima.


Foi então que
abriu a janela
e chamou por ele
alto, sem
mais ter por onde sangrar.


E de olhos fechados,
começou a viajar.
Ela se sentia tão leve
e de seus olhos escorriam
pétalas de flores de todas
as cores, iguazinhas as que 
ele tinha posto nos cabelos dela
um dia, 
um dia.


Sem ele,
ela era apenas silêncio.
Lembrou das palavras,
dos sentimentos,
daquela dor, daquela dor
tão igual a essa dor.
Lembrou do lago.
Mergulhou.


Quando acordou,
sua mãe segurava a sua mão
e ele estava envolto numa luz,
naquela luz que não era dela.


Um dia, 
ela abriu a janela
novamente
ao invés de olhar para baixo,
olhou para o céu
e
ele sorriu
ele apenas sorriu.




Karla Bardanza








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