LAVADEIRA, SIM SENHOR


Quando ela traz a roupa dele
para lavar no riacho,
esfrega com (im)paciência
as sujeiras que ele deixou escorrer
no branco das palavras,
batendo sem bater
nos brios daquele homem
em eterna contradição.

Seus dedos estão feridos
demais para limpar aquelas coisas
com o pouco do sabão que
guardou apenas para ele.
Suas unhas e sua ira
quebraram junto
com o tempo dos poemas
e
foram levadas pela espuma
e pela água.
Esse ofício de esfregar
na cara dele
as decepções
é
quase uma missão,
é quase uma mágoa.


Silenciosamente,
ela olha as manchas
e não sabe como
dar conta delas.
Ela tenta lutar
contra o que está ali,
esfregando até os dedos sangrarem.
Mas, aquilo continua e continua.
Ela abaixa a cabeça
por alguns minutos,
 sentindo a dor de dar
murro em ponta de faca
e mesmo fraca,
rasga a roupa,
rasga ele,
rasga tudo
toda louca.






Karla Bardanza














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