ANTÍTESES, ÁGUAS E AFINS



As antíteses amamentam-me diariamente. Não vivo apenas de amor. De vez em quando, deixo umas gotas de ódio cair no meu café. Nesses momentos, lembro-me um pouco de mim e das pequenas atrocidades que a vida insiste em cometer. São coisas inexplicáveis. Não consigo ser luz todo o tempo, minha escuridão sorri também.

Eu atravesso a nado essa dualidade, sem buscar respostas ou me acusar: a vida é doce e violenta, eu sou doce e violenta. Faço um esforço terrível para ser frágil, faço um esforço terrível para ser forte. Viver é uma dura missão.

Na maioria da vezes, sou mais do que uma antítese, sou apenas água: estou sólida e fria, distante do céu, distante da magia. Mas, algo entra em fusão e eu derreto. Quase sempre é porque o meu coração transbordou ou então, os meus olhos viram uma pétala, uma árvore, uma pedra, um bicho em glória deitado ao sol. Meus olhos agarram a melhor parte do real:o afeto é líquido. São coisas dentro do dentro de mim. Quando sublimo é porque o teu azul é mais forte do que o céu: o desejo evapora, a hora dilue, estou em ebulição. Condenso: sou nuvem. Chovo sem você, chovo calmamente no calendário ao lado da noite vazia de esperanças.

Todo o processo é natural. Sou bem transparente mesmo quando ninguém pode ver o meu além. Mas, não faz mal, mas não faz bem. Um dia desses, vou ainda descobrir a antítese certa, uma que me acalme e me deixe sedada de vez.



Karla Bardanza


Mais uma prosa minha que está no Os Fios do Infinito










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Beijos e ótima noite!

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