ESSA MULHER(ZINHA)


  Iludi-me
a vida não muda
com um corte de cabelo
diferente,
com um novo batom
ou
com um pretinho básico
curto e transparente.

Lá no fundo,
estamos iguais.
Os medos continuam
sem metáforas
ou pontos finais.
A pequena tragédia diária
permanece.

Cada um está dentro
de sua pobre torre
esperando absolvição,
uma mão estendida,
ou talvez a própria vida
que anda correndo
e sem olhar para trás.

Fiz uma grande besteira:
assassinei o meu cabelo
com um corte ultra-super-mega moderno
e ele vai continuar curto
por uns dois invernos.

Pensei que seria
uma outra mulher,
assim como direi...
mais para frente,
chique,
diferente é a palavra certa.
Mas, eu...eu continuo a mesma
com esse corte que acabou
comigo de tão curto que está.
Nada mudou.
Só ficou uma única certeza:
não adianta mudar
o lado de fora
se o lado de dentro
está cheio de teias.

Talvez eu não sirva
para ser outra.
Eu sou essa mulher(zinha),
essa pessoa 
assim como direi...
saída de um livro
de poesia e com os olhos cheios
de delicadezas e flores.
Não sei ser moderna,
não sei gostar do meu cabelo
como está.

Às vezes, tento ser quem não sou,
faço um esforço terrível
para vestir essa capa que me deixa
forte e arrojada.
Mas, no fundo de mim
sou apenas mais uma,
sou apenas mais nada.



Karla Bardanza










Copyright © 2011 Karla Bardanza Todos os direitos reservados

Comentários

Postagens mais visitadas na última semana