O TEMPO ME PERDEU

Quadro de Jennifer Nehrbass





O que está aqui dentro
ainda me desobedece,
procuro pensar em Mr Darcy,
em Elizabeth Bennet,
em coisas abstratas
enquanto a metafísica do amor
entra em meus olhos
e não transcende
a minha vã filosofia.

O caminho tem um único nome:
solidão.
O tempo me perdeu.
Viro a ampulheta, tentando
contar os grãos da areia
que me restam,
exorcizo os meus medos,
faço coisas para esquecer.

Não sei como
não amar Mr Darcy.
Ele ainda é o homem absoluto
que mora nos bolsos do querer.
Vesti a roupa de Elizabeth,
mas ele não veio.
Não espero mais também.

Por que perco a exatidão
dos sonhos, o meu controle de qualidade,
a vontade como desejo?
Renego-me por dois segundos.
Não posso continuar imersa
nas bolinhas de naftalina.

Faço sinal
para o ônibus na esquina
e subo nele,
quase cansada,
quase tonta,
mecanicamente
abrindo a janela
e olhando as pessoas
e os seus passos.

Por que nunca consegui
ser igual a ninguém?
Meu happy end ficou em Hollywood.
Abro um livro de autoajuda
e não me encontro nele.
Onde eu fui parar?

Esta sou após os quarenta:
uma mulher gritando confortavelmente
em cárcere privado



Karla Bardanza




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