CRUA

Quadro de Joel Rougie




Que a Lua cuide de mim
e desenhe o meu destino
em um roseiral.

Já me vou por ai
sem hora para chegar,
com a cabeça bem confusa.

Continuo vestindo
a mesma blusa.
Não mudo assim não.

Tem coisas que permanecem
e eu acho que está bom
desse jeito.

Peito perfurado de balas perdidas, 
minhas pobres vidas,
minhas indas
e vindas
e eu na cena ainda.

Já não sei mais
o que me faz feliz
nem quem está com a razão.

Estou crua
mais uma vez.
A carne exposta,
os ossos doendo,
os olhos cheios de choro.

Mas está tranquilo
mesmo sem Happy End.

Deixa estar,
um dia a gente se entende.
Um dia,
as coisas dão uma virada.

Quero mesmo
é seguir em frente
enquanto afundo
no mais profundo nada.





Karla Bardanza









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