DEVIR, FILOSOFIA E (FALTA DE) SENTIDO

 Quadro de Ted Seth Jacobs



Não tenho filosofia
e nem sentido.
Pensando bem, 
creio que apenas Alberto Caeiro
me entende
Sou um ser na curva
do devir:
pronta para cair
com leveza
e
gratidão.

Minha realidade sensível
é inapreensível a olhos nus
e o meu estado é transitório
ou talvez homeopático.
Pequenas doses de problematização
e teoria tem me ajudado
a pensar quando nem penso mais.
(Pensar embrutece a visão)
Prefiro a sempre poesia
que cabe na ponta da minha língua
e no céu da minha boca
quando estou louca,
santa ou puta.

O meu logos já
perdeu a razão e a medida
e Permênides não mais
explica nada porque
o ser é e eu não sou.

Fico entre o ser
e o nada:
é bem melhor assim.

Minha inquietação 
me arranca do chão
e me deixa na zona de indescernibilidade
onde o meu devir de nada provém
além de vir de mim
para de mim sair.






Karla Bardanza











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