ESSA NOSSA GRAMÁTICA INFELIZ



E no início era o verbo

de ligação, é claro.

Eu queria mais que

você fosse o meu predicativo,

sujeito.



Depois, deixei tudo

para ser seu objeto

indireto, sempre.

Você nunca me assumiu

publicamente.

Nunca me escreveu

um poema decente,

Nunca nada.

Apenas falou:

sem cobranças,

desencana,



Achei isso tão sacana!



Agora, estamos no

modo subjuntivo:

eu morta,

você vivo.

Diz que eu minto,

me chama de sonsa,

não entende o que

eu sinto,

me julga, me sentencia,

me mata, me silencia.


E eu, que ainda

te amo porque não

vou deixar de te amar

tão fácil assim,

queria saber

se a dor anistia

ou se existe

alguma conjunção apassivadora

entre nós dois, quem sabe um não

agora, pode ser um "se" depois.



Karla Bardanza

Comentários

Eduarda disse…
Karla,

Não sei que dizer desta gramática inflexionada de sentidos.

Apenas e como sempre, que s tuas palavras me enchem.

bj

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