ATÉ QUE ARDE

Quadro de Stephen Smith



e lá vai ela mais uma vez
com os ouvidos cheios de vozes
pela cidade crua.

frio bom,
casaquinho salmão
e nenhuma paixão entalada
na garganta.

olha ao redor,
sente-se assim,
quase um objeto direto,
quase uma coisa intransitiva.
(sente-se viva?
sente-se o quê?)

e quando cansa de ser exemplo lá pelas tantas, 
está com a cara mais de puta do que de santa,
já consumida pelo estranho trabalho
de dar murro em ponta de faca.

às vezes ela acha que perdeu algo,
mas ainda não tem pressa de descobrimento.
e enquanto o tempo sai mordendo
a esperança até sangrar,
ela liga o computador
e desliga-se de si mesma,
esquecendo tudo que jaz
e numa muda paz,
fala com meio mundo,
sorri, sofre
e goza
toda prosa,
toda rosa,
pela metade,
fingindo tudo,
até que arde.



Karla Bardanza
 







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