O AMOR DISTANTE DA MINHA MÃO ESQUERDA


Minha mão esquerda talhou
Esse amor na penumbra.
Não vi quando a minha alma
Desvendou o infinito e todas
As nuvens eram apenas indecisão.
Não vi quando os oceanos dormiram
E eram improváveis.

E hoje, apenas hoje
O tempo arrasta o amanhã.

Sento aqui sem os meus olhos,
Sem as minhas lágrimas, rasgando as
Minhas esperanças, sentindo,
Apenas sentindo o que as palavras
Calaram.

Não amanhecerei.
O sol e o seu mistério é apenas
Escuro.
Visto-me de solidão, perdi.

Abro a porta da eternidade,
Molho os pés, atravesso a terceira
Margem do rio.

(Sinto tanto frio, sinto tanto...)
E a vida é apenas um vago
Indício, e a vida é apenas
Essa sórdida alegria trivial
Do amor que me feriu.

E isso que perdi se multiplica
Cada vez mais dentro de mim,
Tão intocável e luminoso,
Tão distante da minha mão
Esquerda.





Karla Bardanza

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