NÃO CONSIGO RESPIRAR


Minhas mãos doem.

É inegociável esse sentimento,

Essa súbita ameaça arrancando

Pensamentos e agonia.

Não consigo respirar, não consigo

Amparar a lua em meus braços,

Não consigo esse descanso que

Os que são amados trazem nos

Olhos e na pele.



A dúvida amarga na boca da noite.

Deito para não pensar no agora e

No futuro. Deito para ir embora

De mim mesma, para fugir dessa

Angústia que trago nos bolsos da alma.

Meu sono é morte. Esqueço nobremente

Disso que é pérola e fogo, mar respirando

Dentro de mim, claridade doente, escuridão

No canto abafado de meus poemas.



Quando não tenho mais esperanças, fecho

Olhos e sufocada, me mato um pouco mais.

Por que o amor nunca me tornou o seu

Objetivo maior? Por que ainda me restam

Sonhos à beira do abismo toda vez que

Salto para o infinito morrer?Por que você?







Karla Bardanza





















































Comentários

Triste Flor disse…
Carla, querida poetisa, tão lindo, tão intenso, tão sentido... amei esse final, pq? pq? as coisas não são como a gente gostaria que fossem? beijo enorme....
Eduarda disse…
Karla,

Mais que um apelo um grito.

Sempre o prazer de te ler.

bj
Eduarda
Runa disse…
Aqueles que não conseguem respirar, socorrem-se do oxigénio das palavras para ir sobrevivendo e manter o coração à tona. Identifico-me com aquilo que escreves.

Beijos, amiga.

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