SE E SEM, NÃO E NEM


Inaugurei a tarde
com a minha tosca depressão.
Veio aquele abandono que só infelizes
conhecem com profundidade.

Engatinhei para a cama,
cobri até o pensamento
com o edredom e fiquei
na sombra do meu próprio
escuro.
Dormi para esquecer.
(como se esquecer adiantasse alguma coisa)

Queria que a felicidade
corresse pra dentro de mim.
Ah! Se eu pudesse ficar exausta de feliz!
Mas, estou em exílio 
dentro do meu próprio país.

Não consegui ainda me tornar
uma pessoa satisfeita.
Quando tudo retorna,
começo a tremer, a ficar de mal
comigo mesma,
Rumino minhas pequenas tragédias,
toda enjoadinha como aquelas formiguinhas
que a gente encontra passeando dentro
do açucareiro.

Passei a tarde inteira,
duelando comigo mesma.
Sempre sou a minha pior inimiga,
a minha própria juíza
e inquisidora.

Perdi a luta.
Minha angústia puxou o gatilho
mais rápido e me deu três tiros
no peito.
Fiquei morta a tarde toda.

Quando ressuscitei,
eu só queria mesmo
era virar uma flor
ou talvez uma gaivota.
Uma joaninha seria bom também.

*

Tomará que essa fase
se e sem acabe logo
antes que eu fique não e nem.






Karla Bardanza











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