A ÚLTIMA MORTE DE VÊNUS

Quadro de Ernesto Arrisueño



Ele anda na poeira dos dias,
procurando fora o que nele falta
como se soubesse desabotoar
a mágica que debruça nua sobre
o decote generoso da lua.

Ele mente para as palavras,
atirando a esmo adjetivos
que não servem mais
como se pudesse mirar no alvo
sem atingir as nuvens ao redor da paz.

Ele fuma a vida com angústia
e medrosa rapidez, comendo
o ar, espalhando suas dúvidas
como se fossem fumaça de uma
única estranha vez.

Ele não tem tempo para olhar
as profundezas do querer nem
mesmo para se ver chorar. 
Ele confundiu Vênus de repente
e a empurrou para a última morte.

Ele não tem sorte porque
da sorte não é parceiro nem vencedor.
Ele é apenas um cavalo sem sela
despetalando a flor da flor.


Karla Bardanza







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