SÁLVIA

Quadro de Indra Grusaité






Queimo sálvia
enquanto a mente aquieta
as palavras exaustas,
a boca endurecida,
a vida procurando pela vida.

O que ontem eu fui,
dorme intranquilo
nesta música que
tocou apenas para mim.

O cheiro abraça-me:
a magia começa com 
a emoção.
Abro o terceiro olho,
vasculho-me, olhando
por dentro de minhas sombras.

O momento é manso
e manso é o devir.
Aqui apenas o infinito,
eu maior do que sou.

Estrelas multiplicam-se
em constelações,
Netuno sai do mar,
Ôrion atira sua flecha
em mim, ferindo-me
mais uma vez,
caçando o que já
me faz falta.

No nada,
há o tudo
e eu,
eu que sou quase nada,
sou o mar que abarca o mundo.


Karla Bardanza









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