NO ANO QUE VEM

Quadro de Lucio Frizzotti




Tudo pode esperar:
estou sentada,
admirando o ar, os vôos,
os vãos.
Isso é uma fase de transição
e o vazio desdobra o infinito
em momentos que me possuem.

Ouço músicas
que me tocam a mais profunda
pele. Um algo me aproxima mais
do ano que vem.
Ah! É assustador essa coisa
de contabilizar os fracassos,
de pensar o hoje já como ontem
e achar que todas as respostas estarão
guardadas nas gavetas do amanhã.

Hoje ainda é hoje.
Hoje estou ainda aqui.
Não vou fazer planos,
nem colocar a minha alma para
alcançar o que está muito além do jardim.
Nada está escrito.
O que sinto é imensidão,
é a calma de quem aprecia a mais
nova paisagem.

Quando o novo ano chegar,
não vou dar tapinhas nas costas dele
como se já o conhecesse.
Nada disso.
Vou é olhar bem dentro dos olhos
de céu dele e procurar
os meus carneirinhos e as minhas joaninhas.
Quero ficar com vontade
de ser criança de novo
só para lembrar que vale a pena
ser feliz.
Isso é a única coisa que não
precisa de explicação na vida
porque a gente precisa de uma coragem
danada para encontrar a felicidade
e tentar tudo de novo mais uma vez:
agora, amanhã, no ano que vem.




Karla Bardanza








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