(A)MAR


Mar em correnteza arrastando-me
Para tão longe de mim e do cais...
Fluir contínuo de emoções e dores
Que escondem a plenitude e a voz.
Lençóis d’água, oceano de cetim,
Onde mora o abismo e o doce fim?

Mar silencioso e voraz olhando lá
Dentro de meu infinito de tormento.
Sentimento cheio de sede e fome
De vida multiplicando a calada flor.
Palavras dissolvidas em mácula.
Contemplo a limitação do amor.

Esconderijo, refúgio, o absoluto.
Eterno despedaçamento e luto.
Tristeza que ainda cala o olhar.
Como dói o mar, como dói amar.

Karla Bardanza

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