AS ENCOSTAS DA ETERNIDADE


Quase habitei as encostas da eternidade
Quando bebi sozinha tua pele de doce luar.
Sede intensa, busca e resgate da felicidade
Vivi quando tua alma terna eu pude navegar.

O luar era o meu espelho e doce imagem,
Era o mergulho no teu corpo e santo sabor.
Fiz da noite a minha brisa e cruel aragem,
Arrancando prazeres do teu lúcido calor.

Quase rasguei o misterioso véu do teu mar,
Em teus braços de sol, em teus olhos de mel,
Reaprendendo a solidificar até o próprio ar.

Mas o tempo traidor devora as forças e a vida,
Entristece os fortes, cala o coração e o terno céu,
restando nada além dessa selvagem ferida.



Karla Bardanza

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