ELA FUMA AS MÁGOAS


Com um cigarro no canto da boca

e um cafézinho na mão,

ela chora em cima do velho colchão:

arena de tanto ardor imperfeito.

Perto do peito, uma antiga

medalha dada por algum canalha.

Rosto quase belo, já

esquecido e amarelo.

Mãos amargas, corpo duvidoso,

cabelos cansados.

E ali dentro do quarto sagrado, 

ela fuma as mágoas e a dor uma a uma 

até que a sua própria alma também suma.


Karla Bardanza

Comentários

Cena disse…
quem é o canalha?
Karla disse…
Nem eu mesma sei quem é.Adorei o comentário.Beijão.

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