ANTES DE DORMIR


Antes de dormir,

As ilusões descem dos olhos

E escrevem tão pouco:

Vogais e consoantes do puro

Desespero gritam o escuro

De si mesmo.



Os cantos das mãos sujos,

As brincadeiras rastejantes,

O quase nada fabricado

Com alguma sofreguidão.



Antes de dormir,

Promessas que não amanhecem,

A culpa imortal do olhar insano,

A felicidade clandestina que

Não resiste à realidade.



Dentro da alma,

O estrago, o estilhaço,

Os pedaços quebrados do

Ontem, o saber exaustivo

Da mentira.



Antes de dormir,

A consciência de que

Isso e aquilo têm os dias contados.

O olhar esmagado pelo

O limite do desejo e o desespero

Do grande nada.

A pequena morte

E grande fatalidade do

Ser.



Antes de dormir,

Apenas o teto frio,

Apenas você.



Karla Bardanza


































































Comentários

Eduarda disse…
Karla,

que te dizer destes momentos em que a noite cai e que bem sabes transmitir.

bj

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