ENQUANTO SAKAMOTO ME FAZ CHORAR



Enquanto contemplo um pouco mais,nada acorda,
um sentir caminha manso, um violino chora em mim.
Devo alguma coisa.Devo ao universo essa dor,
esse estranhamento nesse retrato falado sem voz.

Não me desato dos acordes, nem dos nós.
Penso que uma pétala escondeu o amor
em algum canto do meu impróprio jardim
onde nasci junto com a solidão que pinta e borda

Todas as palavras e metáforas que erro e errei
e que morrem caladas com o peso dos anos,
sangram, sobrecarregando o sonho,
e as flores selvagens no campo sem vento.

Minha dívida sem cor sem perde no tempo,
não pergunto mais quando, apenas decomponho
os verbos de ligação, os memoráveis danos,
tentando reaprender uma nova resposta ou lei.

Mas, não me pergunte nada ainda.
Deixe para depois o que sou e sei.
O agora me permite apenas esse sentido
sem sentido, esse tudo que já foi sem ter sido.

Ouço.
Vazios me completam.
A música preenche a presença da ausência.







Karla Bardanza












Observe-me com a leveza de uma bolha de sabão... e ache minha beleza... Ela está ao meu redor...no meu calor...no meu estado permanente de flor.
-Karla Bardanza-

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