O QUE NÃO SE ACHA DENTRO





 Na beira do abismo,
mansidão:
um salto para o todo
vazio.
Chuva, nuvens,
a vida sente medo,
 a vida sente frio.

Com os olhos 
para o alto,
o grande salto
para o infinito morrer:
ela=eu=você


Louca trajetória
para alguma página,
para sua própria história,
para algo tão ameaçador
e maior.
Ela está tão em si e só.


A vida começa pelo avesso,
pelo nada, pela busca 
infinita e aflita
do que não se acha dentro.
Ela perdeu o eixo,
ela está no centro
do que não tem começo
ou fim.


Ela desaprendeu o sim,
esquecendo o não,
ela cai lentamente
na palma da minha mão.


Na beira do abismo,
o olhar cego para o alto,
o sonho, o palco,
a palavra interdita,
a mulher que me fita.


E juntas vamos
para nenhum lugar,
perdendo os pedaços
pelo ar,
respirando
até não
mais
respirar.




Karla Bardanza







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