AMANHÃ QUANDO ELA CHEGAR


 As palavras não querem falar comigo hoje.
Viraram as costas e foram todas
se perder pela noite.

E eu...
Ah! Eu fiquei assim
com cara de cachorro que caiu
da mudança e que não sabe para onde ir.

Faltam três minutos
para amanhã e nada acontece
com a minha musa:
essa menina obtusa que convidou
as minhas palavras para dar uma voltinha
e me largou aqui sozinha, sem
ter o que dizer.

Respiro fundo,
ouço nada.
Esse poema vai vazio
como o papel que me olha
e pede para eu ir com calma
porque ele é virgem.

Nada faço.
Minhas mãos suam e tremem.
Esse nesse negócio de primeira vez
me causa vertigem.
Ai!Não posso ver sangue não!

Saio do quarto,
lamentando a impotência,
a conjunção que não houve,
sento diante de mim
e
com os olhos cheios de conjuntivite,
aceito o convite do sono.
Mas, antes deixo a chave de casa
embaixo do tapete para a minha musa entrar.

Amanhã, depois que ela chegar da farra
junto com todas as minhas palavras,
vou ter muito o que contar.


Karla Bardanza










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