CONTEMPLANDO O MEU NADA

Tristan Henry-Wilson






Inauguro a noite,
esticando pedaços de mim,
lambendo a poesia
sempre escondida
das minhas horas
cheias de murmúrios
e falas que aumentam o silêncio.

Eu sou a escuridão
encostando bravamente
nas janelas ainda fechadas,
alucinando as estrelas,
engolindo e desexplicando.
a luz guardada em 
caixinhas de fósforos.

A vida come meus pensamentos,
meu tempo semi-precioso:
os ponteiros do relógio
atravessam os muros,
sou eu o escuro confortável
recebendo com ternura
os carneirinhos insones,
as dúvidas macias.

E tudo que arde
me diviniza
porque sou tão menor
do que as coisas
que me alargam
e me culpam.

E essas intimidades
é a minha herança sem nome
para quem já esta deserdado
pelos céus.



Karla Bardanza







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