A ÚLTIMA POESIA DA CEGA

Matthew Hindley





Tenho a ligeira impressão 
que este país está morto
e à direita de deus paes todo poderoso.

Coisas grandiosas encolhem 
o meu caminho
e eu já nem consigo conjugar
todos os verbos que cabem
nesta luta.

Ontem 
( e não apenas ontem)
chorei com as minhas mãos
vazias de doçura
cobrindo o meu rosto
e a minha vergonha.

E eu
que nunca conheci nada,
descaminho
porque erro
com vontade e ousadia.

Creio que depois
de nós,
todas as vozes
serão uma única voz.

Mas existem
muitas conjunções em minha frente,
muitos nomes próprios
desclassificando os objetos.

Nunca soube muito bem
como ser sujeito de alguma história.
Nunca fui dada as grandes comemorações.
Quanto as lutas,
sempre as travei com fé
e visão de futuro.

A de hoje,
morre um milhão de mortes
e eu não sei quantas vidas
ainda tenho
ou se blefo mais uma vez.

De tudo isso,
resta-me algo
que não ouso nomear
porque me dói
entender.

E enquanto,
escrevo o indescritível, 
algo agoniza ao meu redor
e eu me sinto bem menor,
bem mais coisa.

Nunca mais
o chão será o mesmo
ou o estrondo terá diferente cheiro.
Nunca mais
minha pátria será onde 
meu corpo habita.

Minha cidadania
de agora em diante
terá apenas um único nome:
 Poesia.


Karla Bardanza



Para as minhas companheiras e companheiros de luta.Amo a minha profissão.




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