Rostos dos dois lados, quase gente.
Chão desenhado preto e branco,
fúria mansa em janeiro.
Tudo sempre impenetrável.
Ela reage pouco aos estímulos:
luz.Luz?

Pega o ônibus e vai.
(pra onde ela vai?)
Janela toda aberta,
vento quente, unhas por fazer.
Para além das esquinas,
muito nada, outdoors,
ruas assombradas, pedrinhas no
caminho.

Sua face é de ovelha,
é de raposa, é de loba,
é de cobra, é de barata,
é de vampira, é deformada,
é branca, é amarela, é isso.
É isso.

Quando tateia a blusa,
procura o que ainda existe,
lendo a pele em Braille.
Desce do ônibus,
já armada:
o último leão é morto.
Mas, é ela quem jaz arrependida,
cansada,
cansada de viver.

Chuveiro frio,
comida fria,
existência sem essência,
filosofia de última hora:
o inferno são os outros,
as outras e ela mesma
das 5 até a hora que fecha.
Fecha os olhos,
respira, odeia, odeia
odeia.
Há uma grande extensão
de luzes morrendo pela janela.
Há.

Karla Bardaza



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