AS ÁGUAS DA ETERNIDADE



A primeira noite em que me libertei
Do mundo, algo se perdeu de mim.
Não ouvi ruído nenhum.
Tudo era imenso
Em meus confins, abismos eram
Apenas jardins e alguma solidão.

Uma cega me deu a mão.
Aprendi a ver sem olhos.
Aprendi a sentir.
Tateie no escuro
Todas as dores,
Todas as feridas.

A vida proclamou
Sua glória divina,
Seu desejo para além.
E eu, mortal também entendi
Que não há mau ou bem,
Há apenas distraídos
Que não sabem ainda
Como andar sobre
As águas da eternidade.


Karla Bardanza

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