PEQUENO ENSAIO POÉTICO SOBRE A (IN)SANIDADE



O que tive

Foram apenas

Alguns dias chuvosos



Ou talvez alguns

Versos famintos

De tranquilidade.



Passo a mão pelos

Cabelos e as dúvidas

Caem aos meus pés.



Palavras esparramadas

No chão de giz.



Lentamente,

Tudo se apaga e se confunde

E a linha tênue que

Divide a loucura da sanidade

Desfaz metáforas, existe

Para além de todas as

Maldições.



Alguém amarra

As minhas mãos

Na cama da insensibilidade

E eu adormeço sem

Pensar.



Acordar dói

Muito mais

Quando nada

Nem ninguém

Mais ouve.



Olho o teto


Que parece tão mais branco


E perto, sentindo mais


Raiva de todas as palavras,


De todos os poemas


Que não me tiram


Desse quarto cheio


De nada.






Durmo


Esfacelada.






Durmo

Mais uma vez.






Karla Bardanza





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