QUANDO NADA MAIS TENHO



Não é o bastante,

O nervo exposto,

O sangue sem rumo,

O soco no rosto.


A dor é uma volta

No círdulo, o infinito

Que nunca foi, as indas

E vindas da roda da fortuna

Quando a carta cai na

Mesa.


A delicadeza embrutece:

Os punhos estão fechados

Para o perdão.

Tudo silencia nesta fábula,

Menos a poesia.


Bendita sois vós que me

Alimenta o corpo sem paraíso.

Bendito é o fruto do teu

Ventre fecundo.

Quando mais nada tenho,

Tenho ainda o mundo.


Karla Bardanza




















































Comentários

Porta-Sonhos disse…
Forte
Belo
Com uma encantante harmonia fonética

Gostei em especial dos primeiros versos

Não é o bastante,
O nervo exposto,
O sangue sem rumo,
O soco no rosto.

Boa poesia.

Bjo.
Karla Bardanza disse…
Obrigada pelas palavras.

Beijo


Karla Bardanza
Bela, esta (q.u.a.s.e) oração de amor.
(Lembro-me de a ler e de a comentar no Luso-Poemas. ainda bem que a encontrei novamente;-)

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