PALAVRAS À BEIRA DO CORPO

Quadro de Stasia Burrington



Essa fragilidade
desabrochando na minha pele
cheia de caridades
e silêncios
veio voraz,
veio diante da descoberta
que nem todos mereciam
as pétalas do meu corpo.

Levou tempo
para que eu deixasse
o conforto dos espinhos,
e encontrasse
o arrepio certo,
a palavra à beira do corpo.
Exerço a Deusa em mim:
sou mais sagrada
quando sou profana.

Alguém aqui dentro
(me) ama.
Recito essas verdades,
encontrando as visões
que faltavam-me
à flor da pele.
Meus olhos possuem claridades agora:
novas transparências do meu ser.

Minhas ausências 
dessas palavras que já não
posso entender, 
explicam esse corpo,
esse amadurecimento repentino
e esperado.

Estou pronta para reproduzir.
Minhas metades tornaram-se inteiras:
estou absoluta.
Já posso transbordar em flores.





Karla Bardanza














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