QUERO VOCÊ NA MIRA DA MINHA IRA

Quadro de Cyn Mccurry



Estou juntando pedrinhas:
tamanhos e cores da minha ira.
Minha cólera sempre é honesta e franca: 
nunca se perde
no meio do caminho.

Olho com impasse e exatidão
o que guardo nas mãos
como defesa e profundidade.
Vou jogá-las antes que seja cedo,
antes que seja tarde.
A minha raiva é infinita
enquanto dura.
(Vinícius me entende)

Estou juntando pedrinhas
com tanto fervor,
com a alegria dos mortos,
dos fracos e tolos.
Ainda é melhor atacar
do que defender.

Quantas estão aqui?
Quantas já tenho?
Todas as minhas pedrinhas
tem endereço certo.
(Que prazer masoquista!)

Quero você na mira da minha ira,
assim com esse teu ar santo.
(amém)
O alvo perfeito.

Estou juntando pedrinhas.
Cada uma tem uma história de ódio,
cada uma te reserva uma dor razoável.
(prazer todo meu!)

Milhares de pedrinhas
todas tuas,
todas lindas e nuas.

Depois da dor,
serei mais feliz.
Um pouco de ódio não mata:
apenas envenena.

Que tristeza essa minha alma tão rude e pequena!
(Mas não tem problema!Prometo que na próxima reencarnação serei melhor.)





Karla Bardanza












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