DEVERÍAMOS TER PERGUNTADO AO VENTO QUANTO TEMPO TERÍAMOS QUE ANDAR DE MÃOS DADAS



Quadro de Mia Araujo




Deveríamos ter perguntado ao vento
quanto tempo teríamos que andar
de mãos dadas.
Deveríamos pelo ao menos ter dado 
apenas uma única chance aos nossos corpos.
Esquecemos de tudo:
 de falar com as montanhas sobre as folhas
e de contar todas as pétalas dos crisântemos.
Esquecemos de tentar o impossível.

Não lembrar da tua voz é
um tenso exercício:
coloco as mãos na cabeça, fecho
os olhos e tento não ouvir o teu coração
gritando ainda dentro em mim,
e tento não me multiplicar
nem me dividir.

Mas não há mais como atingir o céu com mãos
sem subtrair a dor das horas.

O processo de tirar o esparadrapo
do corte deve ser calmo e lento.
Sento para ver se está tudo bem
ou se o passado já foi embora.
Divago...


(O tempo não cura,
não é alento.
A gente se acostuma com o machucado,
com a pele esfolada, com a dor reincidente,
nos convencendo que seguimos em frente.
A gente se acostuma com a perda
pensando que dias melhores virão.
Eles demoram a chegar
porque não temos o amor,
mas ele nos tem nas mãos.)

Deveríamos nos ter dado a chance
de encontrar um no outro
sem expectativas, sem eternidades,
sem querer muito,
sem querer mais,
sem querer nada,
nem mesmo a paz.




Karla Bardanza




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