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tenho você atravessado
em minhas pálbebras,
diluindo o norte,
perguntando,
perguntando,
devorando a noite voadora,
fazendo pular coisas
dos armários, das gavetas,
do meio de tantos abismos.

oculto-me por detrás
de outras sombras,
protejo-me dos contornos
imperfeitos da sintaxe.
tudo me ama e me apavora.
tudo fica e vai embora.

tenho 25 minutos de idade:
engatinho, balbuciando
o essencial enquanto
as imagens somem,
o corpo morre,

tenho 25 minutos de tragédia
e não há nada aqui
que possa me defender
de tantas verdades.

tenho 25 minutos de solidão
e tudo que me resta
são as tuas mãos
vazias de minhas mãos.


Karla Bardanza






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