QUASE POETA


um poema escreve-se 
com as mãos suadas,
com vontade de acordar


para depois ser abandonado
porque sempre espera-se
que ele possa desabrochar
algum momento, depois
do depois.

o que me tranquiliza
é que ele sempre
estará lá me esperando
com pena de mim,
tentando adivinhar
a minha necessidade
de perfeição.

e enquanto
o intervalo entre
a mão e o ontem perdura,
coisas proibidas
e belas respiram
silenciosas em mim.

eu sou.
ainda.

Karla Bardanza




Copyright © 2014 Karla Bardanza Todos os direitos reservados

Comentários

Postagens mais visitadas na última semana