NOVAMENTE PASSARINHO



 Quadro de Rebecca Wetzel Wagstaff





Uma fase de singularidades
afasta-me de maiores horizontes.
O corpo desobserva
as mãos,
o coração afasta-se
das palavras,
a vida (vida?) estranha
as palavras.

Sinto sono
e o cansaço dos infelizes
arrasta-me para o poente
das metáforas.
Talvez seja apenas um surto,
um curto circuito,
qualquer coisa sem explicação
(como explicar o que parece não ter nome)

Sou um sujeito inexistente:
chove dor em mim.
Ou talvez indeterminado:
precisa-se de outra pessoa neste corpo.

E enquanto sou o meu próprio objeto,
perco a sintaxe, os predicados,
os dias folgados,
as coisas que deixam os Deuses
perto de mim.



Karla Bardanza


Caros leitores/as,


Não sei se a poesia me abandonou. Sinto apenas que estou orfã de mim mesma e neste exato momento, sou minha própria vítima. Não sei se poderia chamar isto de crise existencial ou falta de inspiração. Parece apenas que o coração parou de bater e que a vida saiu de mim para passear ai fora. Li uma frase de Charles Bukowski que me entende:
                         
"Há qualquer coisa dentro de mim que me magoa"

Um dia isso passa e serei passarinho outra vez como Mário Quintana. Obrigada.


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