CONFISSÃO EM AGOSTO

Já errei tanto na vida
que já não dá nem mais
tempo de me arrepender.

Já cai dentro de abismos
enormes, vastos, castos:
quedas tão mortais,
arranhões,feridas,
noites loucas,
coisas poucas
e casuais.

Já me afoguei em sonhos
paralelos, em tantos hemisférios,
com casos tontos e sérios.
Já bebi de todos os cálices,
inclusive aqueles que achei
que  nunca beberia.

Já,já e já
também.

Do que sei,
nada é mal,
nada é bem.

Não sei se aprendi,
se entendi,
se melhorei
ou piorei.

Essa aqui sou eu:
errada, certa,
perdi um pouco de mim
por ai,
sofri tanto que cheguei
a pensar que não ia sair nunca
mais da cama, do quarto,
do escuro, da dor,
da lama, da doença,
da morte, da falta
de tudo.
Lá no fundo,
vi o mundo.

Foram tantos erros
que não preciso mais errar.
Agora, me dou o direito
de pelo ao menos tentar acertar,
nem que seja de vez em quando.

Não preciso que ninguém
me entenda, 
não preciso olhar para trás
e me culpar novamente.

Sou diferente, esquisita,
isso, aquilo,
sou o que sou
e isso é um tremendo cliché.

Agora, dou um passo de cada vez.
Agora, antes de falar, ouço
a voz da minha alma.
Tomei tenência?
Sei lá.

Aprendi apenas
que vale a pena
sempre amar.
É isso que vou levar quando
estiver em outra dimensão.
É isso que plantei no coração
da minha filha.

Ainda bem,
que apesar dos desencantos,
das decepções, dos medos,
das manhãs sem sol,
do frio que apenas eu sinto,
consegui chegar lá.
Lá perto dos Deuses,
lá perto do amor
e me ajoelhar com fé
diante da vida.
Ainda bem que consegui
esquecer e perdoar.

Como dizia o meu tio
o que vier daqui pra frente
é lucro.


Karla Bardanza









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