O DOM DE OLHAR



Ele é um bicho solto,
um animal voraz
alucinado
e
alucinante.

Ela é uma coisa,
um algo que ele pressente
e quer longe.
Ela é o que ele sente
e machuca por ser febre
ou doença.

Procurou sair quando
ela entrava.
Mentir quando
ela falava,
evitar o que era perigo.

Quando ele senta
no sofá da sala branca
e olha para as poltronas vazias,
pega a cerveja
e bebe um pouco mais.

Olha a agenda
com a sua lista de abate
e procura sempre
o que é fácil de devorar
e cuspir.

Quando volta à noite,
já não pensa mais em nada.
Dorme no chão mesmo,
todo largado.

Por que será
que apenas ela tem esse dom
de olhar
para dentro da alma dele
e fazê-lo sentir-se tão sagrado?







Karla Bardanza













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